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Afinal, resolver a ansiedade era fácil. Quem não sabia era eu...

  • 16 de jul.
  • 2 min de leitura
16 de julho de 2026

Hoje vivi um momento histórico.


Depois de anos de ansiedade, ataques de pânico, consultas, psicólogos, crises e muitas idas às urgências, apareceu finalmente alguém disposto a resolver o mistério da minha vida em menos de cinco minutos. Nem o Sherlock Holmes trabalhava assim.


A conversa nem sequer começou por mim. Foi ela que decidiu analisar a minha ansiedade. A determinada altura disse-me, com um ar de quem tinha acabado de descobrir a cura para todos os males da humanidade:

— Quando estás de férias não tens ataques. Quando trabalhas, tens.

Pensei: "Até aqui... tudo certo."


Estava enganadinha...


Logo a seguir chegou a conclusão. Segundo ela, isso só podia significar uma coisa:

eu queria era ficar em casa sem fazer nada.


E foi nesse momento que percebi que algumas pessoas não dão um salto para conclusões.


Fazem salto à vara.


Confesso que fiquei uns segundos em silêncio. Não porque ela me tivesse deixado sem argumentos. Estava apenas a tentar perceber se aquilo era uma conversa séria ou uma Pegadinha à João Kléber.


Porque, vejam bem, trabalho e estudo desde os dezasseis anos. Fiz o secundário, depois uma licenciatura e agora estou a terminar o mestrado. Durante anos conciliei aulas, trabalhos, exames, projetos e empregos ao mesmo tempo. Basicamente, tive mais horários do que horas de sono.


Mas afinal... o problema era eu querer ficar em casa sem fazer nada.


Quem diria.


É incrível como algumas pessoas conseguem resumir anos da vida de alguém com uma confiança que nem a Wikipédia tem. Sem contexto. Sem perguntas. Sem conhecer rigorosamente nada.


Uma autoestima destas dava-me imenso jeito nas entrevistas de emprego.


A determinada altura comecei mesmo a admirar a personagem. Imaginem a confiança necessária para explicar a uma pessoa a razão pela qual ela própria tem ansiedade.

É quase poético.


Quaseeeee!


Saí da conversa a pensar que existe um superpoder muito subestimado. Não é voar. Não é ficar invisível. É conseguir tirar conclusões sobre a vida dos outros com meia dúzia de frases.


Há quem passe anos a estudar medicina.


Outros tiram o curso diretamente no AliExpress.


No fim, cheguei à única conclusão que realmente me interessa. Já não sinto necessidade de explicar a minha vida a quem decidiu conhecê-la em cinco minutos. Há pessoas que perguntam para compreender. E há pessoas que perguntam só para confirmar a opinião que já traziam de casa.


Hoje percebi que não vale a pena discutir.


Até porque, sejamos sinceros...


É muito difícil ganhar uma discussão contra alguém que inventa o guião enquanto está a falar.


Até à próxima página.

Velaris 🦋

PS: Se algum dia eu ganhar metade da confiança com que certas pessoas falam sobre assuntos que não conhecem... prometo avisar. Deve ser uma sensação incrível.
 
 
 

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