Reflexão #002
- 13 de jul.
- 2 min de leitura
Nem tudo o que sentes precisa de uma resposta.
Há uma vontade silenciosa que a ansiedade conhece muito bem: a de encontrar uma explicação para tudo.
Porque é que me senti assim hoje? Porque é que aquela pessoa respondeu de forma diferente? E se aquilo significar alguma coisa? E se eu estiver a ignorar um sinal importante?
Sem darmos por isso, começamos a transformar cada pensamento numa investigação. Cada silêncio numa hipótese. Cada emoção num problema que precisa de ser resolvido imediatamente.
Mas a verdade é que nem tudo o que sentimos exige uma resposta.
Há dias em que estamos mais sensíveis sem uma razão evidente. Há momentos em que o coração acelera sem que exista um perigo real. Há emoções que aparecem apenas porque somos humanos, porque estamos cansados ou porque a vida também nos pesa, mesmo quando não conseguimos explicar porquê.
Passei muito tempo a acreditar que só conseguiria sentir quando encontrasse todas as respostas. Hoje percebo que essa procura incessante era, muitas vezes, aquilo que mais alimentava a minha inquietação.
Nem todas as perguntas precisam de ser respondidas no mesmo dia.
Nem todos os medos precisam de ser enfrentados no mesmo instante.
E nem todos os pensamentos merecem ocupar um lugar permanente dentro de nós.
Aprender isto não significa deixar de sentir. Significa aceitar que existem coisas que podem simplesmente existir sem que tenhamos de lhes dar um significado maior do que aquele que realmente têm.
Talvez a paz não esteja em encontrar todas as respostas.
Talvez esteja em deixar que algumas perguntas passem por nós sem lhes abrir a porta.
Se hoje sentes que a tua mente não para de procurar explicações, lembra-te de que nem tudo o que se passa pela tua cabeça merece tornar-se uma verdade.
Alguns pensamentos são apenas pensamentos.
E, por vezes, deixá-los partir é a resposta mais gentil que podes dar a ti própria.
Respira. Não precisas de carregar o mundo hoje.
Até à próxima carta,
Velaris 🦋



Comentários